ontem eu tinha 13 anos

Hoje eu acordei meio mal. Disse para minha amiga que não falaria desse assunto por aqui, mas ontem aconteceu uma daquelas situações que dão uma sugada na nossa energia. Não quero entrar exatamente nisso, mas o ponto é que foi grande o suficiente para chegarmos nesse post.

O pior é que acordei bem, dormi com a Aline essa noite. Acontece que depois do banho, mudei a roupa para vir trabalhar e subitamente me senti sem energia. De repente, fiquei muito consciente da minha existência, do meu corpo, da minha roupa e do meu cabelo.


Acho que um dos piores momentos na vida de uma menina é quando ela toma consciência social de que é uma mulher e das implicações que esse substantivo (quase adjetivado) carrega. Aquela descarga súbita e horrível de consciência corporal, conflitos internos e questionamentos que você tem com 13 anos e que qualquer homem médio só tem com 30.

Se você tinha 13 anos em 2013, assim como eu, provavelmente teve contato com o tumblr. Diferentemente do facebook —que nossos pais já conheciam e inspecionavam—, ou do instagram —que estavam começando a se habituar—, ele era bem mais selvagem e uninspected. Com toda a certeza, meu pai e minha mãe não conheciam o tumblr (ou não sabiam do potencial catalizador que ela era). Naquela época, eles se preocupavam bem mais com o que eu (cuidadosamente) compartilhava no facebook.

Lá, a maioria das meninas da minha idade conheceu o que gentilmente apelidei de "vale das sombras da morte". O primeiro contato com qualquer tipo de transtorno, tristeza, depressão, pornografia, jogos, fanfics, drogas, bandas, séries e aesthetic aconteceu naquele lugar. Foi lá que surgiram também os users do tipo: @/fuck1nmermaid, @/florecer, @/skinner_me e outras modinhas que acabaram pegando. Mas posso confessar? era tão cool. Era muito satisfatório saber que em algum lugar do mundo, alguém tinha os mesmos questionamentos que eu. E, como se não bastasse, transformava em um quote metido a besta ou imagem bonitinha pra reblog. Eu estava começando a minha adolescência e o tumblr era um prato cheio para alimentar e também saciar as minhas inseguranças. Eu era basicamente esse meme da Hannah Montana.

Para os curiosos de plantão, meu perfil ainda existe: https://www.tumblr.com/naotemexplicacao

Ontem, sem querer, revisitei esse momento da minha vida (dessa vez no twitter) e, do nada, tive 13 anos outra vez. Fiquei lá, scrollando a tela e torcendo para algum post tocar naquela ferida (mal cicatrizada) e fazer com que eu voltasse de vez para lá.

Eu até fiz um tuíte sobre isso. Acho que existem coisas que prefiro adereçar à ninguém especial, não quero conversar sobre meus gatilhos com pessoas queridas. No fundo, tenho vergonha de desejar ficar doente. Minha psicóloga dizia que tenho essa tendência meio masoquista de machucar meu corpo (e consequentemente minha mente) como forma de validação. Parece que sem sofrimento não há vitória.

Me arrumei meio moída, assim que mudei de roupa me senti subitamente exposta, mostrando pele demais, corpo demais e sendo mulher demais. Me senti ocupando um lugar muito grande no mundo mas não de um jeito bom. Me veio uma necessidade muito grande de não ser vista, eu me estava meio ridícula (aos meus olhos). Cheguei no trabalho de mal humor e, agora, derramo todos os meus sentimentos aqui, nesse post sem pé nem cabeça.

Conversei com a minha amiga e ela sugeriu que eu escrevesse um pouco por aqui. De inicio não quis, mas acho que foi uma decisão acertada. Me sinto bem mais leve e mais viva.

Vou voltar ao trabalho, obrigada por me enxergarem.

beijo,


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