25 dias de retiro espiritual... OU NÃO!

 Hoje faz 20 dias desde a minha última postagem nesse blog. 

E na maior parte desse tempo, eu ficava com uma sensação de querer fazer um post mas nada de bom vinha à mente. Não tenho coisas legais para falar e postar, mas não por falta de elementos interessantes existentes no mundo e sim porquê não consigo pensar em nada senão minha casa. 

No último post, falei sobre a mudança e até fiz um checklist de coisas que ninguém te conta, achando que aquilo ali era o máximo de "surpresas" que poderiam acontecer. Silly me. Aqui vai mais um ensinamento: se você sai da casa dos seus pais sonhando com um retiro espiritual, mas não controla sua ansiedade, seu sonho vira um quartel militar, ou pior, uma zona de guerra na qual você é o canhão e o atirador ao mesmo tempo.

Ultimamente, não tenho disposição para absolutamente mais nada. Minha vida se resume a: Lavar louças, lavar louças, bater o sofá, aspirar a casa, lavar louças, lavar louças, lavar panos de chão, lavar louças, lembrar que não tenho cortinas, sentir raiva por não ter cortinas, sentir calor porquê as janelas estão sem cortinas, ir ao mercado e lavar louças. juro, a louça é infinita.

Depois que me mudei, fiquei um pouco obcecada com a casa, com a organização e limpeza para ser mais exata. As duas primeiras semanas foram sobre manter tudo absolutamente arrumado e ser refém das minhas ansiedades. Parecia que a qualquer momento aquele farelo em cima da mesa de centro iria me engolir (realidade: eu mesma estava me engolindo). Tive um torcicolo fudido por conta de ansiedade e uma dor no cóccix que demorou uns 15 dias pra passar. Tudo porque eu simplesmente não conseguia ficar parada. Toda vez que meu olho batia em algo fora do lugar, eu imediatamente precisava consertar, limpar e montar. Caso contrário alguém morreria: eu, no caso. Mas como tudo que está horrível pode piorar, não bastava estar sendo tóxica comigo, também estava sendo extremamente controladora com a minha namorada. SEM PERCEBER (diga-se de passagem).
No sábado passado, minha avó foi lá em casa nos fazer uma visita. Na real, preciso falar sobre outra coisa antes da visita da minha avó: Eu tenho um traço de ansiedade personalidade: não sei lidar com frustrações e muito menos mudanças bruscas de planejamento. Eu me pressiono muito para que tudo esteja sempre dentro do cronograma e me torno uma pessoa insegura, nervosa, hipervigilante e sensível nesse processo.
Voltando a visita, eu queria MUITO que tudo desse certo, que minha avó se sentisse à vontade e mais importante: que ela percebesse que não estávamos morrendo de fome ou sendo irresponsáveis com os deveres de casa (ou seja, eu queria muito a aprovação dela).
Acomodei minha avó no sofá e fui para a cozinha ajudar a aline com o café da manhã. Quando cheguei lá, parei atrás dela por 5 segundos e tal qual uma MÃE, eu disse: "você está cortando as laranjas do lado errado" e assim como uma filha rebelde, ela retrucou: "amor, não gosto de fazer as coisas do seu lado. me sinto fiscalizada. você é controladora, já percebeu?". Confesso que não esperava por isso e me senti um pouco atacada. Mas fiquei com essa informação guardada e mais tarde comecei a pensar em todas as vezes que fiscalizei as coisas que ela fazia em casa. Não por que ela estava fazendo errado, mas porque não estava sendo feito do meu jeito. 25 dias de casamento e eu já estava meio doida, imagina em 1 ano. 

aline e eu. eu sou o dwight.

Enfim, depois dessa cortada com a cimitarra afiadíssima, estou me controlando para não ser tão controladora. Eu preciso de terapia? sim. Mas também preciso colocar em prática o que aprendi nos 5 anos que fiz psicóloga antes, não é mesmo? É difícil aceitar que não posso abraçar o mundo e nem tomar conta de tudo que acontece ao meu redor, porém é muito mais pesado carregar o fardo de tentar ser muito mais do que já sou, então fico nesse impasse.
Me obriguei a retomar meus hobbies e parar um pouco para descansar. Preciso aceitar que certo nível de "bagunça e desorganização" são sinais de que há vida naquele ambiente. Não preciso dormir tarde arrumando a cozinha nos mínimos detalhes e nem prender meu xixi pela manhã porquê alguém me disse que a cama deve ser arrumada antes de qualquer coisa do dia. Ninguém vai morrer se tiver pasta de dente na pia do banheiro ou se ficou um par de sapatos perto da porta sem guardar. Existem uns 25 jeitos de fazer suco de laranja e tá tudo bem se os copos grandes ficarem meio misturados com os pequenos no armário. A casa é nossa, as regras são nossas.


Às vezes, a ânsia de acertar é tão grande que o espaço para erros fica limitado. Não dá para aprender sem errar um pouco antes, sou marinheira de primeira viagem (como minha sogra diz). Preciso desacelerar e entender que já basta todos os leões que eu preciso matar na rua, no trabalho, na sociedade. Não preciso criar mais problemas dentro da minha casa.
Esse foi o surto de hoje.
Namaste!




Comentários

  1. nessas horas lembra daquela frase batida: "serenidade para aceitar aquilo que não posso mudar, coragem para mudar o que me for possível e sabedoria para saber discernir entre as duas". algumas coisas fogem do nosso controle e tá tudo bem <3

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