crying my heart out to my girls, c'mon in! 𐙚 ‧₊˚ ⋅

 Toda vez que o fim do ano vai se aproximando, um sentimento meio avassalador acorda dentro de mim.

Bater de frente com toda a energia dos meses finais me gera uma insatisfação pessoal com tudo que está ao meu redor. Minha vida pessoal, minha aparência, meu trabalho - esse ultimo principalmente. Tudo que eu poderia ter alcançado durante um ano e que não se cumpriu na minha vida (seja por minha culpa ou dos outros).

É um sentimento meio ruim, de incapacidade, de injustiça e de insatisfação, tudo meio misturado, meio agridoce, borbulhando aqui no meu estômago.


Não me leve a mal. Não sou essa pessoa mimada que culpa os outros pelas coisas que não aconteceram, pelo contrario, carrego o peso do mundo nas minhas costas. Minhas obrigações e de outros também.
Mas não consigo lidar com as frustrações vindas dos outros, todas as realizações que não dependem de mim, nem do meu esforço pessoal. Odeio essa sensação de nadar, nadar e morrer na praia. Não gosto de ser enganada e muito menos me sentir lesada.


Vou contar uma história:
O ano era 2022. Eu estava saindo do meu primeiro estágio, que era muito legal. Foram 2 anos incríveis! Fiquei muito amiga do meu chefe, o horário era ótimo mas o final foi meio merda. Como era em uma empresa estatal, não havia uma forma de me contratar sem concurso público e eles estavam sem orçamento para a contratação de terceirizados. Obviamente, fiquei muito triste, mas não tinha muito o que fazer. 
No mesmo período, um amigo me enviou uma vaga de estágio, que de inicio, pareceu um sonho. Era em uma editora, e eu, que sempre fui uma leitora voraz, não poderia pensar em lugar melhor para trabalhar. Obviamente, me inscrevi, e inacreditavelmente, passei! 


A vaga era para estagiária de produção gráfica, e eu estava cursando design na época. Um pouco diferente do que eu estava acostumada a fazer, mas com o tempo fui pegando o jeito. Meu chefe foi muito legal e me ajudou bastante no processo de aprender a fechar arquivos com precisão e rapidez. Além disso, tinha a parte criativa da função: fazer capas e diagramar miolos. Eu amava essa parte! Logo peguei gosto pelos livros infantis e descobri o lettering e as ilustrações; de repente, a mesa digitalizadora era a minha melhor companhia e eu era MUITO boa nisso. Minha relação com o editorial também sempre foi boa e amigável, de modo que tinha uma certa liberdade artística para fazer os livros do meu jeitinho. Tudo estava muito bem. Fiz amigos na empresa nova, pessoas foram e outras vieram, enfrentamos uma mudança de escritório e quando menos esperei, estava terminando a minha graduação, era 2023. Com o fim desse ciclo, outro também se encerraria: meu contrato de estágio.
Um período meio tortuoso começou, mas eu ainda não tinha ideia do que estava por vir. Mais uma vez, não tinha vaga para mim. "A empresa não tem vagas sobrando, bla, bla, bla," a mesma ladainha do estágio anterior. A diferença é que dessa vez, tinha uma forma de me contratar sim, e era sendo PJ.

Aceitei, né? O que mais eu poderia fazer? eu AMAVA esse emprego, e na minha cabeça, isso compensava sim o fato de ser PJ e todas as implicações. Além disso, eu tinha uma ótima relação com o meu chefe e as equipes, estava crescendo e aprendendo muito da função e tinha um plano de carreira meio implícito ali. "É uma situação temporária, tem chances de efetivação depois de 1 ano. Estamos em crescimento!", o RH me disse. 
No ano seguinte, completei 1 ano como PJ e meu chefe me disse: "Tô tentando a vaga pra você! Eles disseram que pode sair a qualquer momento!". 
No outro ano, 2025, fiz 2 anos como PJ e a empresa não parava de crescer. Meu chefe foi desligado e tudo começou a desandar de uma forma absurda. Mais uma vez, em uma reunião pós demissão, me disseram: "A equipe vai ser reestruturada, vamos dar mais atenção vocês e nosso plano é efetivar os PJs". 
Uma nova chefe chegou, novos colegas de equipe entraram, houve uma mudança de chefia para minha chefe. Entre a chegada dela e a mudança de chefia, tudo mudou. Minha função já não era mais fazer livros infantis, meu chefe não era mais tão legal assim e o escopo de trabalho começou a se tornar massante, mas a esperança ainda estava ali. 
Chegamos a 2026, o novo chefe da minha chefe fez uma reunião comigo e disse: "Minha prioridade é te efetivar! Esse ano tenho quase certeza que vamos conseguir". E aqui estamos, 1 de outubro de 2026. Todas as promoções que deveriam acontecer, aconteceram e todas as vagas que poderiam ser abertas foram. Mas, nenhuma delas era para mim. Mais um ano, chego ao fim sem 13º, sem vale alimentação, sem vale transporte, sem direitos. Agora, não sei se amar o trabalho vale o meu desgaste emocional diário. Na verdade, tem um tempo que não amo mais meu trabalho. 
Me deixa puta da vida saber que me esforço tanto e tudo que eu tenho são promessas tão vazias. Nesse meio tempo, obvio que entreguei currículos e sondei vagas, mas parece que também não sou boa o bastante para outras empresas.
Fico mais triste ainda por manter esperanças de ser efetivada (mesmo depois de 3 anos).


Odeio que meu futuro esteja nas mãos de pessoas que claramente não estão se esforçando tanto quanto eu. Odeio que nenhuma outra empresa me enxergue, odeio ser tão insegura.
Eu só fico pensando se daqui a 3 anos ainda estarei aqui, nessa situação. As vezes me vejo de mão atadas, meio encurralada num beco sem saída. Passei 4 anos da minha vida me dedicando aos livros e ao mesmo tempo, me especializando em um mercado tão cruel e minúsculo. 

Acabei de colocar todo meu coração nesse post, espero que alivie um pouco essa tensão e raiva que ando sentindo. Não tenho desfecho, mas tenho esperança.
Esperança de que tempos melhores virão, que a minha efetivação aconteça, que a minha equipe mude, que uma empresa me enxergue, que a minha carreira deslanche, que eu possa viver de livros.
Afinal, só tenho 26 anos, mas carrego um peso de 52. Minha esperança, assim como nos anos anteriores, está no ano que vem, 2027. 
Em 2027 vai vir, tenho certeza.


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