(eu gosto de acreditar que) sou a mestra do DIY!

Uma coisa que eu aprendi com meus pais é que eu tenho esse poder de construir absolutamente tudo com minhas mões. Cresci vendo eles fazerem absolutamente tudo em casa: desde as minhas fantasias de carnaval, decorações super elaboradas para os meus aniversários, consertos básicos da casa à receitas sofisticadas, montagens de móveis e cortes de cabelo. No universo da família Souza-Lobo, não existe nada que força de vontade + internet não ensinem a fazer. 

E, pra piorar, minha graduação em design acabou reforçando esse tipo de pensamento. Na minha cabeça, eu faço melhor, mais bonito e mais barato. É uma verdade absoluta? não. É uma garantia de sucesso? também não. Mas é a dose necessária de confiança para tentar.

Ano passado, eu estava procurando um presente criativo para o dia dos namorados e vi um video no Tiktok sobre esse álbum de fotos da Flavia Nasser (clique aqui para ver). O negócio é que ele estava R$250 e eu estava com a grana meio curta. Por isso, pensei: why not? i can do it!

A coragem eu já tinha, fui atrás da humilhação. Juntei meus 2 reais de conhecimento em encadernação, comprei o tecido, mandei imprimir as fotos e montei um álbum bem bonitinho, inspirado (bem inspirado mesmo, já que ficou levemente diferente do esperado) no que eu vi na internet. O importante é que deu certo (mais ou menos, uma das fotos ficou com um errinho) e a Aline amou!

Minha última idéia protestante surgiu ao pesquisar molduras para as artes que gostaríamos de pendurar na parede. Vi os preços e fiquei em choque. Não sabia que era tão caro. Por causa disso, coloquei na minha cabeça que eu consigo fazer molduras de madeira. Achei essa loja chamada Ruberti Molduras e peguei um gás total do que preciso comprar. Não sei se é a mais barata, mas conforme as coisas forem andando, vou fazendo atualizações. Inclusive, tenho um post na incubadora chamado "Decidi fazer uma moldura do zero". Se tudo der certo, eu termino o projeto e documento tudo por aqui para vocês. Se não der, vai ficar no campo das ideias mesmo.

Modéstia à parte, eu realmente acho que sou uma mulher multi-facetada e gosto muito de ser assim! Estar em contato com a minha parte criativa me faz bem, me deixa relaxada e feliz. 

Por muito tempo (e isso minhas amigas do trabalho podem atestar), senti muita falta de exercer esse meu lado. Meu trabalho (EU GOSTO MUITO DO MEU TRABALHO, TUDO BEM?), por mais que envolva a parte gráfica dos livros, é muito mecânico, e raras são as vezes que posso dar um toquezinho em algum lugar. Desse jeito, o processo se torna maçante e até um pouco frustrante, para falar a verdade. Então, acho que esse projetos, por mais doidinhos que pareçam, regulam um pouco a minha existência e me fazem resgatar essa cecilia:

 (profundo demais?)

Conforme fui crescendo e a vida foi andando, fui abandonando aos poucos esses pequenos projetos pessoais. Terminei a faculdade meio cansada de produzir trabalhos, cortar papéis e tirar fotos. Achei que o diploma e o trabalho pudessem me sustentar e suprir toda a necessidade de arts and crafts que minha mente pedia, afinal, trabalhar como (mais ou menos) designer em uma editora era meu sonho virando realidade. Acontece que, como disse anteriormente, focar na parte prática da vida adulta começou a pesar bastante. Todos os dias, eu sentia uma ânsia em produzir algo diferente, que saísse diretamente da minha cabeça, mas nunca colocava em prática. Ou não tinha tempo, ou não tinha paciência. Com isso, fui ficando meio murcha, meio sem vontade, meio duvidosa da minha carteirinha de estudante da EBA.

A minha cabeça funciona de uma forma curiosa. Quando estou na rua, tenho essa mania achar inspirações em lugares improváveis e dissociar do mundo pensando em artes, zines, animações e cartões que poderiam surgir. Com o tempo, percebi que isso me tornava um pouco diferente das outras pessoas. O fato de enxergar potencial em coisas que quase ninguém vê me torna uma pessoa com vocação artística, certo?

eu não sou como as outras garotas, tá bem?

Demorou bastante para que eu aceitasse que sou meio artista. Esse adjetivo tem uma conotação muito radical. Ou você é artista por senso comum, do tipo: as pessoas acreditam que faço arte e por isso me intitulam artista, ou você carrega um quê de presunção e se auto-intitula. Claramente eu não gostaria de ser a segunda opção, mas também nunca fiz nada relevante o suficiente para ser a primeira. 

O problema é que essa luz piscante no fundo do meu cérebro já estava me incomodando. Eu estava sentindo um vazio na minha vida (e se eu fosse um pouco mais conservadora, procuraria uma igreja) e precisava resolver isso. De duas, uma: Ou eu admitia logo que precisava fazer arte para viver bem, ou ficaria cada vez mais longe de quem eu sou. 

E foi assim que eu aceitei que gosto de fazer projetos malucos, gosto de me desafiar e preciso estar em constante processo de imaginação e criatividade para não pirar na batatinha. Não me garanto nas artes plásticas, ilustrações e pinturas (apesar de arriscar bastante), mas me sinto feliz em fazer coisas do zero, ver os processos e os objetos tomando forma. Sentir que no final tudo aquilo saiu das minhas mões, assim como meus pais me ensinaram.

No fundo, somos apenas cópias das pessoas que nos criaram né? 

Essa foi a loucura de hoje. 

Espero que gostem,

milbeijos,

Comentários

  1. você é extraordinária demais para viver o mesmo dia todo dia. não esquece, tá?

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